quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bolsonaro diz que entrará no 'armário do silêncio' se for punido.


Alvo de processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara por suposta prática de racismo e homofobia, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) afirmou nesta quarta (15) que uma eventual punição no colegiado fará com que ele não participe mais de debates na Casa. Bolsonaro disse que irá entrar “no armário do silêncio” se for punido por realizar o trabalho parlamentar.

“Ou estou certo nas minhas posições e estou aqui exercendo um trabalho de parlamentar, ou me recolho, entro no armário, não como homossexual, mas entro no armário do silêncio. Vou votar sim ou não [no plenário], vou para o gabinete, não quero papo com ninguém e não debato mais nada", disse o deputado.

O Conselho de Ética da Casa abriu processo disciplinar nesta quarta para apurar suposta prática de racismo e homofobia por parte do deputado do PP. A representação, apresentada pelo PSOL, pede a cassação do mandato de Bolsonaro e se refere a declarações prestadas pelo parlamentar em um programa de televisão e também a um desentendimento com a senadora Marinor Brito (PSOL-PA).

Bolsonaro disse estar confiante em relação ao resultado do julgamento do colegiado sobre sua conduta porque os integrantes do Conselho são heterossexuais e pessoas de família.

“A maioria dos integrantes da comissão é heterossexual, são pessoas voltadas para a família e para os bons costumes.”

Questionado se poderia ser alvo de uma pena mais branda – como censura escrita, verbal ou suspensão temporária por até seis meses –, Bolsonaro afirmou que não poderia ser meio culpado.

“Não posso ser acusado de roubar meio relógio. Você roubou o relógio ou não roubou. É a mesma coisa", disse.

O deputado do PP afirmou que a representação apresentada pelo PSOL vai fazer com que ele tenha mais espaço para difundir sua campanha contra a concessão de benefícios para homossexuais.

“Vou continuar perseguindo a sanha homossexual desses fundamentalistas", disse Bolsonaro.

O deputado disse que vai exibir vídeos do entrevero envolvendo a senador Marinor Brito para mostrar que não foi ele que começou a confusão. “Vou fazer a defesa por escrito e depois, o que é mais importante para mim é a sustentação oral. Vou apresentar alguns vídeos na íntegra do que aconteceu lá. A imagem é bem clara. Antes de eu falar qualquer coisa, ela [Marinor] me chamou de homofóbico, disse que eu tinha que ser preso e várias vezes me chamou de corrupto”, afirmou Bolsonaro.

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